quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Câmara de Faro apresenta proposta de Reequilíbrio Financeiro e nova vaga de aumentos

É uma reunião histórica a de hoje, dia em que o Executivo Municipal se reúne para discutir a Declaração de Desequilíbrio Financeiro, o Plano de Reequilíbrio Financeiro (estranhamente na mesma reunião), o Plano e Orçamento para 2011 e as propostas de fixação dos valores da Derrama anual, actualização (na verdade é um novo aumento) da Tabela de Taxas e Licenças, cobrança da taxa municipal de direito de passagem, fixação da taxa de IMI e a participação variável sobre o IRS.

Joga-se, nesta reunião, o esforço financeiro que cada um dos farenses vai ter que efectuar em 2011 para a Câmara Municipal de Faro, mas também na próxima década.

Tudo isto apresentado com 48 horas de antecedência, o mínimo que a Lei exige, para discussão e votação. Em termos de democracia e participação plural, num Executivo que venceu por 129 votos a contenda eleitoral e não dispõe de maioria na Assembleia Municipal, é bastante revelador.

Plano de Reequilíbrio Financeiro

São muito poucos os municípios portugueses (contam-se pelos dedos de uma mão) que aprovaram Planos de Reequilíbrio Financeiro e, mesmo os que aprovaram, tentaram antes outras soluções, menos penosas para os seus cidadãos. O Reequilíbrio Financeiro é a solução final, o equivalente à entrada em Portugal do FMI, que só se aplica quando todas as outras falharam ou são tecnicamente impossíveis de pôr em prática.

Em Faro, a coligação de direita nem tentou outras soluções que a Lei prevê, como o Saneamento Financeiro, menos restritivo e menos duro em termos sociais e económicos para a comunidade – cidadãos, trabalhadores, empresas, associações, colectividades, clubes, IPSS’s, sendo que a própria autonomia dos eleitos locais, na Câmara e na Assembleia Municipal, ficará nos próximos 10 anos diminuída e limitada com a eventual aprovação de um Plano de Reequilíbrio Financeiro.

Portimão preferiu um Plano de Saneamento Financeiro, assim como Lisboa. Ambas estão a construir um fundo imobiliário, recorrendo a todos os imoveis e propriedades municipais passíveis de serem vendidas, para fazer face ao pagamento das dívidas e evitar um Plano de Reequilíbrio Financeiro.

Havemos, mais à frente, de falar sobre a proposta de Reequilíbrio Financeiro apresentada pela maioria de direita, uma vez que, tendo apenas tido ontem acesso aos documentos que a suportam, é de todo impossível fazer sobre a mesma qualquer juízo de valor minimamente sério.

No entanto, nos próximos dias tentaremos ver que soluções se escondem por trás de outras portas, aquelas que o actual Executivo nem tentou abrir, mais que não seja porque sempre desconfiei dos caminhos que me são oferecidos como únicos e inevitáveis.

Impostos no máximo e novo aumento das taxas

O PSD que no passado recente (já nem quero falar a nível nacional) sempre votou contra o aumento de impostos e das taxas municipais, alegando que o momento social não era propício, apresenta agora uma proposta que coloca no máximo todos os impostos e taxas municipais.

Como estamos a falar do mesmo partido, até nalguns casos das mesmas pessoas, e acreditando que estas não mudaram de opinião, deverá ter sido a situação económica do país que se alterou para melhor, justificando-se agora - com o actual desafogo económico das famílias e das empresas - aumentos fiscais ainda maiores aos que anteriormente chumbaram.

A actual maioria de direita propõe a cobrança de Derrama de 1,5% (o máximo admitido por Lei) sobre o lucro tributável sujeito e não isento de imposto sobre o rendimento de pessoas colectivas (IRC). Quer isto dizer que todas as empresas de Faro que cheguem ao final do ano com lucros terão a sua taxa de IRC agravada em 1,5%.

Os sujeitos passivos de IRS com domicílio fiscal em Faro pagarão também 5% para a Câmara Municipal de Faro que decidiu não abdicar do todo ou de parte da participação variável que compete aos municípios fixar. Isto é, todas as pessoas com domicílio fiscal em Faro vão pagar IRS à taxa máxima.

O Executivo decidiu igualmente cobrar uma taxa de 0,25% de direitos de passagem por bens de domínio público e privado municipal às empresas que oferecem redes e serviços de comunicações electrónicas e infra-estruturas de alojamento de comunicações electrónicas. Como as empresas reflectem esta taxa na factura do consumidor final (todos nós) esta taxa é mais um imposto municipal a pagar pelos farenses.

Sobre a recentemente aprovada tabela de Taxas do Município é ainda proposto para 2011 um aumento de 5% justificado como actualização da inflação. Escusado será dizer que consultado o Índice de Preços ao Consumidor não consegui descortinar onde é que a taxa de inflação se fixará nos 5%.

Por fim, as taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) são também fixadas pelo valor máximo: 0,7% para os prédios urbanos, 0,4 para os prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI e 0,80% para os prédios rústicos, sendo que no caso de prédios urbanos que se encontre devolutos há mais de um ano a taxa a cobrar será elevada ao dobro.

Pagar, pagar, pagar, pagar, pagar.

Quem propõe estas medidas, depois do Governo já ter cortado salários, reduzido as deduções fiscais e aumentado os impostos, não tem consciência social e já perdeu o contacto com a realidade.

A taxa de desemprego em Faro e no Algarve é elevadissima, cada vez vemos mais lojas no comercio tradicional a fechar, o sector da construção, decisivo para a economia local, está estagnado, o sector social e associativo está financeiramente estrangulado, mas a maioria de direita da Câmara de Faro acredita que a solução passa por elevar ao máximo todos os impostos e aumentar todas as taxas municipais.

Tenho sérias dúvidas de que Faro necessite que a sua Câmara tenha um Plano de Reequilíbrio Financeiro, mas muito poucas para o facto do Concelho necessitar de um Plano de Expansão Económica.

18 comentários:

  1. É pagar e pagar e não bufar.
    Foi para isto que veio de Tavira????
    Governar com o dinheiro dos outros é muito facil...

    ResponderEliminar
  2. É por estas e por outras que o povo se revolta como em França.
    Já ninguém aguenta viver com tanto sacrificio no presente e sem esperança de dias melhores no futuro.

    ResponderEliminar
  3. Mais uma vez é o mexilhão quem vai pagar os erros dos políticos.
    Assim também eu quero ser autarca.

    ResponderEliminar
  4. Sempre quero ver como os seus amigos do PS vão votar este plano de reequilíbrio na câmara e em particular na assembleia municipal onde o PSD não tem maioria. Ainda vai passar com o voto favorável do presidente da assembleia, Luís Coelho. É que não há almoços gratis.

    ResponderEliminar
  5. O Plano semelhante que Portimão aprovou é um saneamento financeiro e não um reequilíbrio e Faro poderia também seguir esse exemplo, que é menos radical que o reequilíbrio. Convido o presidente e o restante executivo a demitirem-se depois disto, pois será o estado a mandar em faro e não mais a Câmara. Assim, não temos falta deles. Para além disso, o Macário já não faz cá nada mesmo, só tem a mania que é moralista, proibindo e disciplinando os Farenses....
    Gaina

    ResponderEliminar
  6. Sou contra o reequilíbrio financeiro,porque a coisa está preta e esta engenharia financeira implica custos acrescidos para todos os farenses.O Macário não tem arcaboiço para gerir Faro sem nos tirar a pele..Com o aumento para o máximo de todos os impostos municipais,qualquer pato bravo faria figura na nossa cidade.Assim sendo,relembro que se o problema é com contas do Município,contrate-se um contabilista,porque o Macário não tem a necessária formação.C.C.
    Carolino

    ResponderEliminar
  7. Só espero que a maioria PS na Assembleia Municipal saiba votar contra esta proposta, pois compromete o futuro da Cidade em, pelo menos, 35 anos. Não podemos tolerar isto. É o fim....

    ResponderEliminar
  8. Só espero que a maioria PS na Assembleia Municipal saiba votar contra esta proposta, pois compromete o futuro da Cidade em, pelo menos, 35 anos. Não podemos tolerar isto. É o fim....

    ResponderEliminar
  9. Eles comem tudo e não deixam nada.
    Vampiros!!!

    ResponderEliminar
  10. Fomos enganados!

    Caros cidadãos de Tavira desculpem o mau jeito mas queremos devolver à procedência o vosso cidadão e, infelizmente, ainda nosso Presidente de Câmara.

    A devolução prende-se com duas razões principais:
    1) Publicidade enganosa, afinal o homem prometeu tudo, não faz nada e ainda aumenta os impostos a todos.
    2) Manifesta impreparação para o cargo que ocupa.

    Face ao exposto e uma vez que ele é filho da vossa terra pedimos que o recebam de volta. Se o fizerem rapidamente serão dispensados de todo e qualquer pedido indemnizatório pelo mal que em tão pouco tempo o vosso cidadão causou a esta cidade, Capital do Algarve.

    Espero que não levem a mal e compreendam as razões do nosso desespero, afinal parece-me justo que quem o criou que o aguente.

    Associação dos Amigos de Faro e dos Farenses

    ResponderEliminar
  11. São todos muito bons a criticar mas qual é a alternativa que apresentam?
    Se calhar não se pagam as dívidas acumuladas.
    Temos que fazer este sacrificio para o bem da nossa câmara.

    ResponderEliminar
  12. Entre o que nos querem cobrar em impostos e aquilo que fazem mais valia a Câmara fechar as portas e estes tipos irem todos para casa.
    Só o que se poupavam em ordenados, telefones, carros, combustiveis dava para pagar algumas dívidas.
    É que politicos como estes não fazem falta nenhuma.

    ResponderEliminar
  13. Mais taxas... Mais impostos...
    Mas quem é que aguenta isto?
    Eu trabalho, tenho uma pequena empresa, tenho quatro postos de trabalho, pago as despesas da minha familia e filhos, sempre paguei as minhas contas, os impostos, os descontos legais, mas com o rumo que isto está a levar não sei se o melhor não é desistir e viver de subsidios.
    Primeiro o Governo, agora a Câmara, amanhã as taxas de juro que se pagam aos bancos.
    O Governo não tem dinheiro, carrega no povo. A Câmara não tem dinheiro, carrega no povo. E a nós quem nos acode nas dificuldades? Ao contrário do Governo e da Câmara, eu não posso simplesmente subir os preços de venda porque depois ninguem compra.
    Começo a ficar sem sangue para tanta sanguesuga.

    ResponderEliminar
  14. Tenho uma casa em Albufeira e juro que se os impostos foram mais baratos lá do que em Faro vou alterar os dados do cartão de cidadão de toda a familia e passamos a contribuir e a votar em Albufeira.
    Estou farto de pagar pelos erros dos outros.

    ResponderEliminar
  15. Vou gostar de ver e ouvir na próxima Assembleia Municipal o Paulo Gouveia, o Vitor Silva, o Ramos, o Vitor Lourenço, o Paula Brito a defender aumento de impostos e taxas máximas.
    É que vai ser mesmo giro vê-los a defender agora o contrário do que sempre disseram.
    Já agora um pedido ao Sr. Presidente da Assembleia deixe-nos ouvir também sobre esta matéria o Valter Alfaiate e o David Santos.
    Vai ser de arrebimbomalho!!!

    ResponderEliminar
  16. Atenção que a votação foi adiada 48 horas. É que os documentos não estavam completos.

    ResponderEliminar
  17. Alerta, o Rei vai nu...

    Perigo de morte...

    Lozinha

    ResponderEliminar
  18. Há gente do PS,com assento na Assembleia Municipal de Faro de que suspeitamos terem sido instruídos/aliciados para aprovar o reequilíbrio financeiro.A abstenção é suficiente e as suas tomadas de posição sobre esta matéria é disso reveladora.Têm o"rabo entalado".Recordo que o Macário é presidente da CMF e da AMAL e cá se faz,cá se paga.É o mau feitio do Macário.Há negócios que dependem do Município,projectos urbanísticos e loteamentos para aprovar,avenças de favor,etc,etc,etc.São os tentáculos do centrão dos negócios a movimentar os seus homens de mão,dentro dos orgãos de um partido político.Contudo,para esclarecer esta insensibilidade e falta de respeito pelas dificuldade por que,actualmente,passam os farenses,está marcada um reunião da Comissão Política do PS/Faro para a próxima segunda-feira dia 25 de Outubro.C.C.

    ResponderEliminar